A melhor cidade do mundo...

Receberá o meu primo amanhã.

 

 

 

 

Fotografias de João Palmela.

 

E é a melhor cidade do mundo porquê? Perguntam vocês...

Porque é banhada por um rio especial, o único em Portugal que se direcciona de sul para norte, habitat de duas famílias de golfinhos que nos acompanham enquanto passeamos de barco. Porque temos um parque natural como o da Arrábida, onde podemos encontrar o gato-bravo, a raposa, o morcego e a águia de bonelli (e até há bem poucos anos: lobos, javalis e veados) assim como uma flora única devido ao seu microclima fora do vulgar. Porque fomos abaixo durante o terramoto de 1755 e ao contrário de Lisboa, as ruas renasceram desorganizadas e pitorescas como anteriormente. Porque a nossa pronúncia é uma coisa assim, sei lá, muito estranha, uma mistura de algarvio com francês que no fim não se percebe. Porque lá foi onde nasci, cresci, vivi e sobrevivi. Porque lá é onde vivem todos (agora que aqui estou, quase todos) os meus amigos, a minha mãe, irmão e avós. Porque é a minha cidade e tenho muito orgulho em ser sadino (em setubalense: "sádine")...

 

Seria tudo perfeito se não fosse o distrito com maiores taxas de desemprego, criminalidade e vida precária. Se não tivesse havido corrupção autárquica durante mais de duas décadas e se a mentalidade dos seus habitantes não fosse tão tacanha.

 

E neste post tonycarreira-patriótico só falta um poema. Este que funciona como hino, conhecido por todos os filhos da terra, celebrizado pelo Conjunto do Chico da Cana (sendo que o tal Chico era irmão de um tio meu, ambos já falecidos):

 

Rio Azul

 

Setúbal, eu tenho pena
de não te poder cantar.
Tu és mote de um poema
que ninguém pode ensinar

Se há beleza em qualquer lado
se valesse algum dinheiro
com a princesa do Sado
comprava-se o mundo inteiro

Onde é que existe um rio azul igual ao meu
que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
minha cidade é um presépio é um jardim
queria guardá-la inteirinha só para mim.

Setúbal terra morena
onde tudo fica bem,
tens a beleza serena
no rosto de minha mãe.

Ó rio Sado de águas mansas
que pró mar vais a correr,
não leves minhas esperanças
sem esperanças não sei viver.


Nota: Agora Dona Maria das Dores, da próxima vez que aí for, pode dar-me a chave da cidade na varanda do edifício do município?

publicado por Mário às 00:18 | link | comentar | partilhar