De regresso ao ferro

Comecei a trabalhar na segunda-feira.

A fábrica chama-se Smit Ovens e constrói fornos industriais para produção vidreira, tecnológica e solar. Cada forno tem 45 metros de comprido, kms de cabos elétcricos, toneladas de lã de vidro para o isolamento térmico e muito, muito ferro. Mas, mesmo com todo o lixo que é produzido, o ambiente de trabalho é límpissimo. Se vos disser que o chão é branco, acreditam? Pois, assim o é porque toda a gente limpa tudo a toda a hora. E toda a gente organiza tudo a toda a hora. E toda a gente pensa demasiado no que vai fazer a toda a hora. Já trabalhar, está quieto.

Quando estou no meu ritmo calmo, as pessoas dizem que estou a acelerar e quando estou parado, dizem-me para ter calma. Não os percebo. E eles não percebem que os gajos do sul quando têm frio mexem-se. Ainda assim, integrei-me bastante bem. Faço equipa com um holandês de meia idade chamado Christian e, sinceramente, tive sorte porque, pelo que tenho estado a observar, é um dos gajos que mais percebe daquela merda, fala inglês correcto e explica-me tudo o que não sei. Até me ensinou a dar uns toques em soldadura a Argon (para os leigos, é das mais complicadas a seguir ao eletrodo), coisa que nunca tinha feito. Entretanto também me está a ensinar a falar holandês, e eu ensino-o português.

Agora quero é o fim-de-semana porque, estava parado há um mês e esta semana de arranque tem sido desgastante...

publicado por Mário às 19:55 | link | comentar | partilhar