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Antes de vir para os países baixos, a questão das saudades dos que ficaram em Portugal era o meu maior problema. Passava horas a pensar nisso, em como seria inconcebível viver sem determinadas pessoas, sem aquelas peças chave que me faziam engrenar na direcção correcta quando começava a desalinhar. A verdade é que sempre fui um apoio para alguns, mas sorrateiramente também me apoiava noutros.

 

Além de estar aqui há pouco tempo, já me apercebi que existem coisas que podemos fazer para ultrapassar a falta de outras. Se sentir falta da família, integro-me noutra; se sinto a falta do meu irmão, dou atenção à Shania; se sinto a falta dos amigos, arranjo novos. Não se tratam de subtituições mas, de adições que colmatam o sentimento de perda.

 

Agora e, por muito frio que possa parecer, ainda não tive saudades avassaladoras de nada do que deixei. Talvez porque não gostava da vida que levava em Portugal, talvez porque queria mudar. Quando a aventura se transformar em rotina, talvez me canse disto. Até lá falamos.

 

Quem disse que só as gajas eram complicadas?

publicado por Mário às 20:44 | link | comentar | partilhar