Terça-feira, 13.04.10

O Vazio

Tenho andado ausente. Justificava-se. Depois de tanto post parvo tive obrigatoriamente que desaparecer uns tempos para o "mundo" não se cansar de mim. É incrível como tenho escrito tanta coisa nos últimos meses, e bastou-me 5 minutos de vídeo com uma peruca e um sotaque nortenho (aldrabado) para ser notado. É que, nunca pensei que resultasse em tal coisa. Com este vídeo também descobri que existe muita gente frustrada em Portugal, facto que me levou a moderar os comentários no Youtube, se é que me entendem...
E claro, a seguir a diarreias de imaginação, vem sempre o vazio. E é nesse estado que me encontro.
publicado por Mário às 11:33 | link | comentar | partilhar
Sexta-feira, 09.04.10

Reis de Portugal


Volvidos 100 anos sobre a instauração da república, Portugal ainda é um país essencialmente monárquico e, tudo me leva a crer que, caso voltássemos ao sistema antigo, haveria uma sangrenta guerra civil pela discussão do trono. Dom Duarte Pio teria assim que desembainhar a espada, não só contra o fadista do PPM, como contra todos os reis que minam Portugal, um em cada esquina. A competir estariam as Casas Reais do Leitão, da Bifana, do Pato, do Bucho, das Tripas, do Choco Frito, do Entrecosto, da Entremeada, do Courato, das Enguias, das Farturas... Mas não é só no campo da restauração que existem adversários à Casa de Bragança. Numa rápida pesquisa na base de dados HotFrog, descobri também o Rei do Pneu, dos Esquentadores e das Fardas, além de monarquias instituídas à margem de Bulas Papais, como é o caso do Reino Informático. Pessoalmente, se tivesse que nomear um rei, escolhia o el-rei do Choco Frito. Parece que me estou a ver no Terreiro do Paço a assistir à charrette real a passar e a multidão a levar com tentáculos de choco panado no focinho. Menos drástica que a imagem que imagino caso fosse el-rei dos Pneus, ou mesmo o dos Esquentadores. É que levar com um Michelin é capaz de rebentar uma ou outra cremalheira, levar com um Vaillant em cima (mesmo sendo preparado para gás natural e automatizado) nem se fala. E porque falo eu em monarquias? Porque acho injusto termos uma República das Bananas e ainda não me ter sido enviado um cacho da Chiquita, madurinhas, se faz favor.

Nota: Agora de repente lembrei-me da República da Cerveja, no Parque das Nações. Esqueçam os reis, elevem a presidente o Sr. Dr. Sagres, mini.
publicado por Mário às 14:30 | link | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Os meus vários Eu's



Nos últimos tempos têm vindo a manifestar-se alguns alter-egos durante o meu dia-a-dia e, claro, que isso afecta a vida das pessoas que me rodeiam. A Jo é muitas vezes confrontada com o Dimitri, emigrante ucraniano que vive em Portugal há meia-dúzia de anos e que tem demasiada tendência para a apalpar. Também existe o macho latino com a voz extremamente fininha, sempre desconfiado se estarão a fazer troça da sua condição; o nigga do Barreiro; o gay decorador de interiores e, menos regularmente, o coxo. A partir de ontem adicionei mais um à minha vasta lista de personagens-estereótipos da nossa sociedade: a Katyzinha. Desde que fiz o vídeo, tenho sido fortemente atacado pelo espírito da bronca de Penafiel e o pior é que sei que não há nada a fazer. Agora só com o tempo...
E não me venham com tretas sobre presumíveis patologias e afins, senão fuodo-bos a tuodos!!!
publicado por Mário às 09:35 | link | comentar | ver comentários (8) | partilhar
Quinta-feira, 08.04.10

Mário does Katyzinha

Já devem ter ouvido falar da Katyzinha, essa guru da moda e da beleza feminina. Nos últimos dias tem-se falado dela no Twitter mas só ontem, através do blog do Kulcinskaia é que tive a curiosidade de clicar no play. Mas para terem noção do que se trata, fica aqui o vídeo intitulado "Parte do Passado":



Ou o "Cortes & Decotes":



Claro que, depois de ver isto, a Katyzinha que há em mim veio ao de cima:

publicado por Mário às 11:35 | link | comentar | ver comentários (23) | partilhar
Quarta-feira, 07.04.10

Músicas que me levam ao êxtase #3



Marvin Gaye - I Heard It Through The Grapevine
publicado por Mário às 16:12 | link | comentar | ver comentários (2) | partilhar

O Cavalo de Tróia




Se existisse um Jardim do Éden em Portugal, esse seria sem dúvida a baía da cidade de Setúbal. Não há sítio algum no Algarve, na costa alentejana ou mesmo na região Oeste do nosso país capaz de rivalizar com os recursos naturais que nos oferece a Península de Tróia, o Parque Natural da Arrábida e o Estuário do Sado. Não fosse o Homem, e estaríamos perante um paraíso único no mundo. Afirmo isto sem qualquer pudor, mesmo sendo natural de Setúbal, pois tenho a certeza que quem já visitou a região partilha da minha opinião.
Acontece que, aquilo é bonito sem artifícios, sem betão e sem mega-construções mas, desde as décadas de 60/70 que certos investidores teimam em fazer das areias de Tróia um destino turístico de massas, e para isso, levou-se a cabo um projecto denominado Torralta em que se construiram um conjunto de torres (enormes e cinzentas) que acabaram por se tornar no maior lar de morcegos do país.
Sempre me habituei a ver aqueles mamarrachos ali. E sempre os vi abandonados. Ao longe até dava a impressão de serem arranha-céus naquela planície arenosa, tipo Miami, mas de perto, eram mostrengos.
Uma dessas torres foi orgulhosamente implodida pelo Sócrates, com direito a transmissão televisiva e a festividades no outro lado do rio. Eu próprio vi a explosão a partir de um miradouro. O problema seria o que vinha a seguir. Casinos, hotéis, piscinas, marina, apartamentos de luxo. Afinal iam mesmo roubar a praia predilecta das gentes da terra. Até os velhinhos ferry-boats foram substituídos por uns extremamente verdes, e por um catamarã com plasmas embutidos. O grupo Sonae com o Rei Belmiro Midas a encabeçar a troupe, parecia estar na rota do sucesso mas em troca de um preço muito caro para a paisagem natural. Já não bastava a cimenteira em plena área protegida e o estaleiro naval em local de nidificação de flamingos, agora um mega-complexo renascido das cinzas. O único lado positivo de tudo isto seria o aumento de empregos temporários (durante a construção) e a abertura de vagas permanentes quando tudo estivesse pronto, no distrito que é o mais afectado pelo desemprego. Contudo, ontem li esta notícia, que me fez esboçar um ligeiro sorriso. Afinal parece que o cavalo do Belmiro é feito de pau-oco e que as areias de Tróia são terreno movediço.
publicado por Mário às 12:19 | link | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Terça-feira, 06.04.10

Mario's Closet

Se há coisa que odeio são aquelas mulheres que mantêm blogs só para poderem mostrar as peças de roupa, sapatos e acessórios que compram. Aliás, não consigo imaginar um hobbie mais supérfluo e egocêntrico que esse. Mas há pior. Existe muito boa gente que depois de arranjadas e entrouxadas, tiram uma fotografia mesmo antes de sairem de casa como se aquela toilet fosse a Meca do bom gosto, do requinte, ou até quem sabe, da melhor conjugação de cores e padrões alguma vez feita no universo e arredores. Aqui que ninguém nos lê, desconfio que há ali muita falta de amor-próprio, facto que as leva a arranjarem-se para poderem ouvir elogios, mesmo quando a indumentária é escabrosa ou meramente vulgar. Claro que aliado a isso há o culto das marcas. Fazem sempre questão de frisar o que estão a vestir.
Hoje deu-me para fazer o mesmo:

Casaco Joana & Gabanna. Tshirt Saldos Clothing. Cabelo Zé Carlos Hairstylist.

Sapatos Lagostins. Depilação Chewbacca.

Chapéu Pull&Pig (porque a mulher também tem de ser porca)

Maquilhagem Levei na Boca do meu Marido em Paris (Última gama, disponível em todos os tons de roxo e vermelho, incluindo costelas partidas)

Agora confirmem lá se as minhas sugestões de beleza não são melhores que esta ou esta.
publicado por Mário às 16:18 | link | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Jamie Mário Oliver


Bem, ainda não tinha anunciado mas, finalmente arranjei trabalho e estou agora (desde dia 31) no período "à experiência". Mudei completamente de ramo pois os tempos que correm e a crise que já passou mas que faz perdurar os seus efeitos e/ou desculpas assim o ditam. Recorde-se - ou, para quem não sabe - que sou mecânico naval, com formação de um ano realizada nas instalações da Lisnave em Setúbal e mais um ano de experiência no mesmo local. Depois disso, aliciado por melhores salários rumei a Eindhoven (Holanda), onde trabalhei um par de meses na SmitOvens (construção de fornos industriais para a cozedura de painéis solares). Durante todo o ano passado, dei o ar da minha graça em Bruxelas (Bélgica), numa das maiores estações de tratamento de águas residuais da Europa, onde, assim como nos dois empregos anteriores, cumpria funções directamente ligadas à serralharia. Agora, desde o início do ano que me encontrava desempregado e não foi por falta de procura. Inscrevi-me em todas as empresas de trabalho temporário em Mechelen e Antuérpia (são mesmo muitas), também fiz uma ficha no Centro de Emprego e corri grande parte das estufas da área. Nada, por vezes promessas, muitas vezes falsas promessas. Agora, e por intermédio do Luís (companheiro da minha mãe) que é o chef do Riccione da Enzo, sou ajudante de cozinha. Um ajudante que ainda precisa de alguma ajuda mas, com o tempo vou-me aperfeiçoando. O trabalho não é leve, nas horas de clientela é até stressante e tem de haver coordenação motora para poder desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo mas, é talvez o trabalho menos pesado fisicamente que já tive. E por isso até me congratulo por ter começado a minha vida laboral num estaleiro naval. Começando pelo pior, tudo o que vier a seguir é encarado de forma positiva. O único contra é o horário, normal para quem trabalha na restauração, ou seja: 11h/15h-pausa- 18h/23h, fins-de-semana incluídos, sendo a segunda-feira o dia livre...
publicado por Mário às 11:55 | link | comentar | ver comentários (9) | partilhar
Sexta-feira, 02.04.10

Super-Hero

Se há coisa que dou valor, é estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Ainda por cima, trabalhar a full-time num trabalho que consome a mioleira e ainda ter energias para ir à escola de noite. Se além disso adicionarmos o facto de no emprego ser-se obrigado a trabalhar em várias línguas, e a escola ser integralmente em nederlands (língua cujo primeiro contacto foi feito apenas à cerca de 4 anos), então a pessoa que anda a fazer isto transcende a inteligência e força de vontade humana.
Tentar ter um bom desempenho já seria de louvar mas, obter resultados p'ra cima dos 80% (e alguns a rondar os 90%) na maior parte dos exames só vem frisar a transcendência acima descrita.
É por tudo isto que a partir de hoje, elevo senhora dona Joana Ferraz, amiga, companheira, namorada, amor da minha vida, ao grau de Super-Hero.


O crachá tirado à sorte não podia ter sido mais certeiro. Quando for grande quer ser como tu mas sem orelhas de playmate. Love u.
publicado por Mário às 10:45 | link | comentar | ver comentários (8) | partilhar
Quinta-feira, 01.04.10

Back to the 90's


Estava eu a ler o último post do blog da minha mais-que-tudo (sobre os anos 90), quando reparei que a visão que temos dessa década é naturalmente diferente no que diz respeito a factos marcantes, a músicas e ao próprio ambiente em que nos inseríamos. Então, influenciado por esse post, decidi fazer a minha descrição nostálgica dos 90's.

Nasci em 86, ou seja, quando tinha 4 anos (que é mais ou menos a idade em que se começa a criar um arquivo mental para mais tarde consultar) estávamos a entrar na Era do "everything it's happening".
O meu pai tinha um Volkswagen Beetle cuja porta tinha de segurar com a mão esquerda, enquanto conduzia e mudava velocidades com a direita. Depois mudámos para um Fiat 127 que quanto a mim é um dos automóveis com o focinho mais bem disposto de sempre. Nesses carros (mais no segundo), a banda sonora estava a meu encargo, e então o que eu fazia era, acordar aos Domingos de manhã, preparar uma k7 áudio para poder (re)gravá-la, ligar a aparelhagem à tv, e assim que começava o Top + ficava completamente atento à espera que aparecesse um videoclip para poder pressionar REC. Enchia k7's assim, com as músicas do top internacional. Por vezes na gravação ainda se ouvia o apresentador a anunciar a música mas, não era relevante. Sentia que estava a enganar toda uma indústria musical, e talvez tenha sido o primeiro tipo de pirataria que terei experimentado. Lembro-me dos Backstreet Boys, dos Hanson, dos Kelly Family, dos Boyzone e de tudo o resto, mas porque a minha prima comprava as revistas Bravo e SuperPop, e consequentemente enchia o quarto de posters enormes, mas a partir dos meus 10/11 anos, quando comecei a criar a minha própria cultura musical, adorava Nirvana. Isto porque foi o primeiro CD que o meu pai comprou, e eu ouvi-o até à exaustão, de forma que, com essa idade já conseguia cantar que a Polly queria crack entre tantas outras coisas. Também por essa altura, o meu melhor amigo que era 3 anos mais velho, mostrou-me Iron Maiden e eu adorei. Nas fotografias do meu 12º aniversário, envergo uma poderosa t-shirt preta com um Eddy (mascote dos Iron Maiden) a ser mutilado. Isto quando a maior parte dos meus amigos da escola achavam que Offspring era hardcore.
Foi também nos 90's que eu e o meu primo tínhamos um objectivo de vida comum: perceber que raio a irmã dele escrevia naquele livrinho em branco a que chamava diário. Éramos sempre tramados por um cadeado. No Carnaval perseguíamos prostitutas para lhes atirar balões de água, até ao dia em que o chulo veio atrás de nós. Tínhamos medo de passar na velha, que era uma casa abandonada onde supostamente vivia uma bruxa que nos tentava fazer mal. Nunca a vi. Pela altura do Santo António, todos os miúdos do bairro iam fazer peditórios para a festa. Havia uma zona para cada dois, e a frase era sempre: "Uma esmolinha para o Santo António...". Com o dinheiro que juntávamos, comprávamos sumos, caracóis, frangos assados, tortas Dan Cake, etc, e decorávamos um dos pátios lá do bairro que com a tal música das K7's se transformava na nossa discoteca.
Lembro-me que no tempo das férias, todos os miúdos ficavam na rua até à meia-noite sem haver medo de raptos ou de Bibis. Éramos muitos e sentíamo-nos seguros. E os toxicodependentes da zona eram nossos conhecidos.
Lembro-me de organizarmos uma equipa de futebol chamada Monte Belo City, cujos jogos eram feitos contra a equipa da Camarinha e contra a outra equipa do nosso bairro, as Estrelas do Monte Belo. Eram duelos à séria que por vezes davam lugar a pancadaria, mas ninguém tinha medo.
Lembro-me dos pagers que a coca-cola oferecia. E lembro-me de ter comprado um ainda melhor, da Telecel. A moda dos tamagochis foi demasiado estúpida. A minha diversão era fazer reset aos bichinhos das meninas. Os capri-sonnes que bebia às carradas. Levantar-me às 6 da manhã para ir a pé até aos ferry-boats com os meus avós e depois, chegar a Tróia cheio de vontade de me atirar para dentro de água. Ficávamos lá o dia inteiro. Nessa altura os raios ultra-violeta não existiam, porque não lhes ligávamos nenhuma.
Lembro-me de ir a festas de aniversário ao MacDonalds do Jumbo, para depois vermos um filme no cinema e gastar 500 escudos nas máquinas de jogos. Na altura em que o Bicho do Iran Costa fazia toda a gente dançar, e que quem não conhecesse a coreografia da Macarena era completamente Out.
Tive um diablo, muitos iô-iôs e no bairro da minha avó, jogávamos ao pião. Em casa jogava ao Super-Mário na Nintendo e sentia-me orgulhoso por ter um jogo com o meu nome. Fazia guerras com tropinhas de plástico e Action Man's, tinha pistolas e punhais de plástico e nem por isso me tornei psicopata.
Telemóveis não haviam, e por isso quando os meus pais me queriam em casa, iam à janela e gritavam o meu nome. À primeira nunca ia. O grau de intensidade com que o soletravam subia à medida que o tempo passava. Nunca os fiz esperar muito, mas tinha amigos que quando ouviam o seu nome completo em gritos já sabiam que iam levar uma chapada.
Descobri que se metesse azeite em papel e deixasse secar, a folha transformava-se em papel vegetal. A partir daí passei a tirar desenhos dos almanaques de banda desenhada. Depois disso aprimorei a minha arte, e passava noites a desenhar e a pintar.
Lembro-me de ser obrigado a dormir a sesta para poder ver o festival da canção à noite, quando o programa ainda era pretexto para uma reunião de família. O zapping na altura fazia-se entre dois canais. A Rua Sésamo, o Bocas, Denver, Tom Sawyer, eram os meus preferidos. Depois passou a novela Pantanal e viciei-me naquilo. Ainda me lembro dos nomes das personagens e adorava quando a Juma se transformava em onça.
Lembro-me de ir pedir copos de água ao café da Zita depois de passar horas a jogar futebol na rua. E lembro-me que ir a casa era mais perto.
Nunca mais me esqueço de ter visto o Vitória de Setúbal dar 5-2 ao Benfica num ano em que desceu de divisão. As almofadas da bola, o cachecol e o chapéu, além do equipamento que tinha com o patrocínio da Ariston.
Lembro-me de muita coisa, e podia continuar a escrever o dia inteiro, talvez guarde para outra ocasião...
publicado por Mário às 11:57 | link | comentar | ver comentários (10) | partilhar

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