Uma noite do catano

A culinária é uma das coisas que pratico diariamente.  Não propriamente por ser um apaixonado da arte gourmet , mas por necessidade. Ora, acredito que para aqueles que tenham crescido habituados a ter o comer quentinho na mesa a horas certas, seja complicado mas, não para mim... Lá em casa sempre tive liberdade de movimentos. Se não me apetecia almoçar àquela hora, ou se não me apetecia o comer, ou se não tivesse ninguém em casa, o Mário desenrascava qualquer coisa. Acontece que agora, não me posso limitar ao desenrascanço porque, comer comida às três pancadas (em francês: "à la trois pancadez ") todos os dias enjoa e faz gasearia .


Ontem dei um jantar cá em casa. Ainda não o tinha feito desde que me mudei, e aproveitei o facto do meu primo ter chegado da Bélgica na sexta-feira para organizar um meeting hetero ) só para homens. No máximo poderia convidar 4 pessoas, pois a cozinha é minúscula e as cadeiras são poucas. Foi o que fiz. O André não pôde vir e ainda bem para ele, pois, sairia daqui com o fígado em fanicos.

O jantar? Tagliatelli de espinafres com bacon, fiambre, orégãos , bechamel, natas, polpa de tomate, atum, cogumelos, parmesão, carne de vaca picada, cebola, alhos, pimenta e sal, ou seja, tudo o que tinha no armário.
Para beber? Tinto Terras de Pias, branco de Reguengos e para as crianças, uma litrosa da nossa selecção.



A "organização do meu balcão" enquanto preparo o refogado. 



A pasta ao lume. Teve de ser em dois tachinhos, porque não tenho um grande...



E cá está o primeiro corajoso a enfiar aquela coisa de consistência e cor duvidosa na boca.



Isto foi o que sobrou, e só sobrou porque ficou agarrado ao fundo. 

Depois disto, seguiu-se um cafezinho Nicola em homenagem ao nosso poeta, e um whisky em homenagem a um qualquer escocês. Experimentámos o cachimbo egípcio que ofereci ao meu primo com o tabaco mais poderoso do Egipto (foi o que o vendedor me confidenciou), mas faltava o carvão, pelo que foi impossível acendê-lo. Limitámo-nos ao roteiro turístico pela Holanda. Fumámos Amesterdão, Breda e outra cidade qualquer que já não me lembro. Por falar em Amesterdão, aqui estão os souvenirs que o cousin me trouxe:



Os holandeses levam as medidas da roupa a sério. Em Portugal visto XL, mas na Holanda devo vestir um S. É que esta t-shirt faz de saia, e dava para meter outra pessoa dentro dela, de preferência outra pessoa do sexo feminino.

Antes de abalarmos aqui de casa, ainda mostrei ao primo  (via Youtube ) o "porreiro pá " do Sócrates e a birra do Santana Lopes por causa do Mourinho. Há que mostrar o que de melhor acontece por cá a pessoas que estiveram ausentes uma série de meses...

Na baixa encontrei os meus colegas de trabalho obviamente embriagados pela rega que o jantar de Natal lhes proporcionou. Depois fui parar ao bar onde um amigo trabalha, e que por acaso era a noite da Salsa. Desaconselho vivamente às pessoas que façam um "roteiro turístico" de fumos holandeses, a verem pessoas a dançar Salsa. Comecei a pensar em como tudo aquilo era irreflectido e idiota. Bem, as minhas "bebedeiras" são sempre introspectivas. Olho em redor, penso, quase que adormeço, deixo de pensar, penso, olho em redor, e nisto está tudo a rir da minha cara. O habitual.

Acabei a noite a ver um documentário no Discovery Channel sobre a construção da maior ponte suspensa do mundo e a comer Fin Carré de avelã made in Lidl.

Isto tudo para dizer que foi uma noite e peras , e que já fazia falta. Depois de tanto jet lag e alguns poços de ar na minha vida, finalmente começo a aterrar suavemente. Deixa lá ver é se não enfio os cornos na torre de controlo. 

PS: Respondendo ao dottoratoamilano , só a meio da semana que passou é que consegui voltar a ter net decente em casa, portanto tirando o trabalho, nada mais me impedirá de voltar ao ritmo desenfreado de postagem . E obrigado por essas saudades heterossexuais...

publicado por Mário às 19:47 | link | comentar | partilhar