Nidificação Urbana I

Uma das varandas do meu apartamento, raramente é aberta. Nem mesmo a sua persiana. Mas, de vez em quando, a minha mãe encarrega-se de o fazer para a limpar. Foi o que aconteceu hoje, e, tal não foi o seu espanto, quando se deparou com um ninho de pombos.

Lá bem ao cantinho, um enorme pombo-das-rochas (como é conhecido o pombo-comum) confortavelmente sentado em cima de duas pequenas criaturas amareladas. Fui chamado ao local e confrontado com um grande impasse:
Por um lado, tenho consciência que os pombos urbanos, são actualmente considerados ratos com asas, portadores de inúmeras doenças transmissíveis aos humanos, como é o caso da bactéria - salmonella, e que o meu dever cívico seria remover o ninho.
Por outro, é moralmente discutível destruir o berço destes dois pequenos animais, já que para eles, isso significaria uma morte quase certa.
Enquanto não me decidia, peguei no telemóvel e tirei umas fotos.



Entretanto, todo este sururu despertou o interesse da cadela, que passou entre as minhas pernas e afugentou o que presumo ser o pombo pai. Só não aconteceu algo mais sanguinário porque a minha mãe teve reflexos rápidos (bem mais rápidos que eu), e pegou a Teddy ao colo. 



Ficaram então a descoberto as duas crias, mais parecidas com patos que, com pombos.
O pai, voltou rapidamente, e não se intimidou de modo algum com a minha presença.

Depois disto, fechei as portas da varanda, e vim ao computador pesquisar sobre estas aves. A nossa amiga Wikipédia disse-me que, os pequenos pombos, permanecem apenas 15 dias no ninho, e isso fez-me tomar a tal esperada decisão.
Selarei o espaço, até que esta família voadora a decida abandonar.
Não há-de haver um risco comparativamente maior de contrair alguma doença, que passar entre uma avalanche destes animais, quando me desloco a qualquer praça ou largo da cidade.

publicado por Mário às 12:10 | link | comentar | partilhar