Tabaco, Laca e Revólveres

Hoje, enquanto bebia o café e lia o jornal mais másculo que se pode ler num domingo de manhã (o Record), apeteceu-me acender um cigarro. Tirei-o do maço e procurei pelo isqueiro no bolso. Entre moedas, chaves, telemóvel e pastilhas amarrotadas em decomposição, lá estava o meu BIC de taberneiro. Quando me preparo para acendê-lo, observo o espaço circundante, para me certificar que não havia ali nenhum recém-nascido ou um senhor com uma botija de oxigénio. É que, tenho uma tendência do caraças, para ser inconveniente...

Em vez de um bebé, ou de um velho a arfar, deparo-me com uma meia dúzia de senhoras de meia-idade, com penteados iguais, em que a laca, supera em muito a densidade capilar, a fitarem-me com olhos de marreta. A esbugalharem-se pelas costuras.
Senti-me mal, e deixei-me ficar com o cigarro na boca ainda por acender, saí e sentei-me na esplanada. Verdade seja dita que, a cafetaria/pastelaria/cervejaria/charcutaria e afins, devia ser mais pequena que o meu quarto, e o cheiro e fumo do tabaco, iriam com certeza incomodar aquelas senhoras. Mas, a fragrância a produtos da Garnier, e a perfumes doces e enjoativos, já se me tinha entrado pela nasalaria dentro, e também me incomodavam. Não posso é pedir às pessoas que aceitem a sua condição de múmias, e que deixem de se encher de Aerosóis. Mas elas podem olhar para mim com ar de reprimenda, fazendo-me sentir, um larilas em amena cavaqueira sexual, num local público. E por agora, ainda se pode lá fumar. Imagino que, quando não se puder, aqueles fósseis nem olharão. Pegam num revolver e despacham-me à napolitana...

publicado por Mário às 12:53 | link | comentar | partilhar