O Mundo à minha volta

Sempre fui fascinado pela grandeza das coisas.

Lembro-me de ler uma versão para crianças d'A Volta ao Mundo em 80 Dias, e pensar que um dia, seria fantástico poder realizar tal feito. 


 
Por ironia, aos 19 anos e sem que nada apontasse para tal, abracei um curso na área da mecânica naval, e hoje, estou num estaleiro de reparações de embarcações de grande porte. 
Na Lisnave, não sou eu quem percorre o mundo, mas é este que chega até mim, através de monstros metálicos, capazes de fazer corar o Capitão Nemo
Lido diariamente com indivíduos de vários pontos do globo... Se agora sentir o cheiro do caril proveniente da cantina, amanhã já será guacamole. E tudo isto é fascinante. As cores, os sabores, os cheiros, fazem de mim um privilegiado.
No seio daquela classe operária quase analfabeta, perceber inglês permite-me que seja um tradutor/interlocutor recorrente, e isso implica que, de vez em quando, receba algum feedback acerca da vida de muitos daqueles marujos, que se sacrificam para ganhar uns míseros trocados.
Há uns meses atrás, um tripulante hondureño do petroleiro Castillo, pediu-me que telefonasse para marcar um encontro com uma prostituta de nacionalidade brasileira, que tinha visto nos classificados de um jornal. Noutra situação, teria negado prontamente, mas, a forma como me pediu, foi tocante. Mais tarde, contei a todos os meus amigos, e foi motivo de gozo, mas naquele momento, tal pedido soou a desespero provocado por meses a fio a marear.
Outra situação que achei curiosa, foi a de um filipino, que ao olhar para o meu cabelo (longo), perguntou se gostava de Scorpions. Nos dias que correm, com este cabelo, no máximo, perguntar-me-iam se sou fã de rock pesado, metal, o que queiram, mas aquele ser, com pouco mais de metro e meio, sorriso cativante, e voz esganiçada, mostrou claramente que certas sociedades, vivem presas nos anos 80 (pode não ser bem assim, mas é giro pensar que sim).
Os mais austeros, como seria de esperar, são os nórdicos. Sempre muito distantes e empenhados no seu trabalho, mas também, bastante prestáveis quando são necessários. As caras de esfinge, só se desfazem, quando andam de câmera fotográfica em punho, a registar a beleza paisagística. Terra sem fiordes!!! Presumo que seja reconfortante...
Por fim, temos os portugueses, os chicos-espertos. Com atitude provinciana, barrigudos, de bigode. Mas desses, já eu estou farto.
publicado por Mário às 18:57 | link | comentar | partilhar