Noah Ferraz Lopes

Eu sei que o nome do nosso bebé não é português e que há o estigma acerca do emigrante que dá nomes oriundos do seu país de acolhimento aos seus filhos. Eu também me rio com isso. Sobretudo quando vão a Portugal e mandam o Jean-Philippe parar sossegado (Arréte Jean! 'Tás aqui 'tás a manjer no focinho!). Sou o primeiro a fazer troça dessas situações. Também sei que vivemos numa Era em que as pessoas abusam na tentativa de chegarem ao bem sagrado da originalidade - estou aqui a lembrar-me da Floribella e do Djaló; e do nome da filha de ambos - e que por vezes, acabam por cair no ridículo. Escolher o nome para um filho a meu ver, não pode ser uma decisão tomada de ânimo leve. Existem alguns factores a ter em conta, tais como: o gosto dos pais, mas também a aceitação do nome escolhido perante os que rodeiam a criança, e, no nosso caso, a possibilidade desta aceitação mudar drasticamente se um dia regressarmos a Portugal. Sabemos que Noah, é um nome com bastante aceitação por cá e em todos os países das redondezas desde há muitos séculos, primeiro usado exclusivamente por judeus - não fosse ele a forma germânica para Noé - e alargado a toda a sociedade no século XX. Já em Portugal tememos duas coisas. A eventual troça que outros miúdos poderão fazer e os erros de ortografia em serviços burocráticos. Se bem que depois de consultarmos a lista de nomes autorizados pelo Instituto dos Registos e Notariado português ficámos mais descansados pois Noah, também aí é aceite (ao contrário de Jean, por exemplo). Depois, também sei que vai ser dificílimo, quase impossível, voltar para Portugal num futuro próximo. Se por acaso a nossa experiência neste país começasse a dar para o torto, mais depressa emigraríamos para outro local aqui perto que para Portugal, nem tão pouco somos aquele tipo de pessoas que se abstêm de ter uma vida confortável aqui, para podermos construir a vivenda na terrinha, e que por isso, só pensam em voltar. Portanto, porque raio iríamos chamar o nosso filho por um nome que não gostávamos, só porque é português, quando temos a possibilidade de alargar o leque de escolha? E isto em forma de resposta directa a alguém: se, de facto, existem nomes que não lembram ao menino Jesus, Noah não entra nesse saco por motivos óbvios. A cultura não está implícita num nome, porque mesmo nascido cá e para os de cá, ele será sempre português, nem nós queriamos que assim não fosse.

publicado por Mário às 13:45 | link | comentar | partilhar