Reflexão sobre o emigrante português

Se há coisa de que não gosto é de emigras. Quando vivia em Portugal não tinha aversão ao meu povo (como é óbvio), mas agora noto uma espécie de alergia, tipo urticária quando oiço falar em emigrantes do meu país. Exceptuando os membros da minha família e um ou outro amigo, o resto é lixo. E se aí na motherland já é difícil definir o estereótipo do português, aqui ainda é bem possível. Nem precisam falar. Percebe-se pela pinta. Parece que antes de passarem a fronteira são todos metidos em quarentena num campo de concentração onde são submetidos a três processos distintos entre si. O primeiro consiste em treinarem um sotaque do interior. O segundo são injecções de chico-espertismo e o terceiro, presumo que seja enfiá-los numa máquina do tempo para o fim dos anos 80 (época que coincide com o expoente máximo do mau gosto). O resultado são indivíduos que bebem Sagres como se não houvesse amanhã e, a quem lhes basta dar um fogareiro, entremeadas e banda sonora do Quim Barreiros para serem felizes enquanto se gabam que são os maiores.

publicado por Mário às 07:49 | link | comentar | partilhar